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Furto de energia preocupa empresas

29/03/2007 DIÁRIO DO PARÁ / Cidades

FÓRUM Concessionárias e entidades do setor buscam soluções para combater desvio de energia elétrica

A Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica estima que o percentual de furto de energia no país varia de 5% a 20%, dependendo do local de origem. Silvia Calou, representante da entidade, diz que o furto de energia elétrica é uma preocupação constante das concessionárias. “Além da perda de receita da empresa, há a perda dos consumidores adimplentes, que também arcam com esse desvio. Há ainda a questão da segurança, já que o ‘gato’ coloca em risco a própria vida de quem o pratica”, afirma Silvia, que citou ainda o roubo dos cabos feito não apenas pela população, mas até por grandes empresas.

Silvia é uma das representantes das várias empresas e entidades ligadas ao setor de energia elétrica que participaram ontem, no Hilton Belém, da abertura do “Fórum sobre Legislação da Comercialização de Energia Elétrica”. Além do furto de energia e as suas conseqüências, o evento pretende discutir, até amanhã, o relacionamento entre concessionárias e consumidores sob os pontos de vista econômico, social e técnico a partir de temáticas como condições de fornecimento, combate às perdas comerciais decorrentes do furto de energia, responsabilidade das concessionárias em relação ao seu mercado consumidor e o papel da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no setor elétrico brasileiro.
Para combater a prática do furto de energia, Silvia Calou diz que as concessionárias têm procurado trabalhar a eficiência energética, inclusive com troca de eletrodomésticos responsáveis pela fuga de energia; além de conscientizar o consumidor da importância de manter uma ligação legal. “Dessa forma seu atendimento será melhor, além do que a redução dos gatos pode até proporcionar queda na tarifa a longo prazo”.

AFETA A COLETIVIDADE - O desafio principal da Aneel hoje, de acordo com José Augusto da Silva, superintendente de Mediação Administrativa e Setorial da Aneel, é detectar e combater as várias irregularidades detectadas no processo de medição de energia, seja por ação humana ou por erro do equipamento. “Hoje o furto de energia é perverso para todos os consumidores já que quando uma pessoa furta a energia, é o seu amigo, parente ou vizinho quem paga”, ressalta.

Marco Aurélio Nascimento, promotor de Defesa do Consumidor, afirma que o problema do furto de energia é grave na medida em que há prejuízo da coletividade maneira geral, já que todos os consumidores pagam pelo furto. “Esse tipo de furto precisa ser encarado como crime e as pessoas punidas como manda a Lei”. Os que forem condenados nesse tipo de crime podem ser condenados a penas que variam de um a quatro anos ou penas alternativas.

O promotor afirma que a criação de uma Delegacia específica para esse tipo de crime está reduzindo a prática. “Além disso os programas como a tarifa social têm ajudado bastante, na medida em que incentiva a população a sair da informalidade e pagar a sua conta, sem a necessidade do furto, já que a conta alta ocorre na maioria das vezes pela fuga de energia em equipamentos mal regulados ou deteriorados”, destaca o Marco Aurélio.

O Ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, que confirmou sua participação no fórum, cancelou na última hora sua vinda a Belém. A versão apresentada foi que a ausência de Rondeau se deveu a um chamado de última hora do presidente Lula que forçou sua presença em Brasília.

Luiz Flávio

 

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